Saúde da Mulher
Uso de Astaxantina na Endometriose
Melhora o status antioxidante, reduz a inflamação e aumenta a fertilidade em mulheres infertéis com endometriose estágio III/IV submetidas a técnicas de reprodução assistida.
Contexto Clínico
O que é a Endometriose
A endometriose é uma doença ginecológica crônica, benigna, estrógeno-dependente e de natureza multifatorial que acomete principalmente mulheres em idade reprodutiva. Caracteriza-se pela presença de tecido semelhante à glândula e/ou ao estroma endometrial fora do útero, com predomínio na pelve feminina.
O Ativo
Astaxantina: Perfil Farmacológico
A astaxantina é um cetocarotenoide fotopigmentado de xantofila lipossolúvel isolado da alga Haematococcus pluvialis. Sua atividade antioxidante é dez vezes mais forte do que a de outros carotenoides. Trata-se de um agente multialvo com propriedades imunomoduladoras, anti-inflamatórias, antiproliferativas, antiapoptóticas, antidiabéticas e neuroprotetoras comprovadas.
Mecanismo Antioxidante
Via Nrf2 / HO-1
A astaxantina atua sobre múltiplas vias: PI3Ks, JAK2/STAT3, NF-?B, MAPKs, Nrf2, HO-1 e PPAR?. Reduz 8-OHdG (dano ao DNA), inibe a oxidação lipídica via redução de malondialdeído (MDA) e suprime o 8-isoprostano.
Também aumenta a capacidade antioxidante total do plasma e a atividade de SOD, GSH-Px e PON-1.
Mecanismo Anti-inflamatório
Inibição de NF-?B e MAPK
Suprime a expressão de genes pró-inflamatórios como IL-1ß, IL-6, TNF-a, quimiocinas, COX-2, iNOS e metaloproteinases de matriz (MMPs) em macrófagos. A inibição da via MAPK complementa a supressão de citocinas.
Fertilidade e Proteção Oocitária
Estudos in vitro e in vivo
O papel protetor da astaxantina contra espécies reativas de oxigênio (EROs) foi demonstrado em camundongos, células granulosas humanas e oócitos, por meio da regulação positiva das enzimas de fase II geradas pela ativação de Nrf2/HO-1.
Ensaio Clínico Randomizado
Astaxantina Modula Estresse Oxidativo e Inflamação em Mulheres Inférteis com Endometriose
Estudo publicado no periódico Frontiers in Endocrinology (Lausanne), de delineamento randomizado, triplo-cego e placebo-controlado, com 50 mulheres inférteis com endometriose estágio III/IV submetidas a técnicas de reprodução assistida.
Grupo 1 — n = 25
Astaxantina 6 mg
Dose diária por 12 semanas
Suplementação ativa com astaxantina
Avaliação de marcadores séricos e do fluido folicular
Grupo 2 — n = 25
Placebo
Dose diária por 12 semanas
Grupo controle placebo-controlado
Mesmos parâmetros avaliados em paralelo
Parâmetros Avaliados
Os níveis de IL-1ß, IL-6, TNF-a, malondialdeído, superóxido dismutase, catalase e capacidade antioxidante total foram medidos em amostras sanguíneas e no fluido folicular.
Resultados
Principais Desfechos após 12 Semanas
Aumento na capacidade antioxidante total (P = 0,004) e nos níveis de superóxido dismutase (P = 0,010) no grupo astaxantina.
Redução nos níveis de malondialdeído (P = 0,004), marcador de oxidação lipídica, após a terapia com astaxantina.
Os níveis séricos de IL-1ß, IL-6 e TNF-a foram reduzidos de maneira significativa após a suplementação.
Melhora no número de oócitos recuperados (P = 0,043), oócitos maduros (P = 0,041) e embriões de alta qualidade (P = 0,024).
Dados Comparativos
Marcadores de Estresse Oxidativo e Inflamação — Pré e Pós-tratamento
| Parâmetro |
Grupo 1 (Astaxantina) Pré / Pós |
Grupo 2 (Placebo) Pré / Pós |
| Malondialdeído |
15,93 ? 14,61 |
19,56 ? 21,39 |
| Superóxido dismutase |
9,04 ? 13,45 |
9,39 ? 9,07 |
| Capacidade antioxidante total |
364,74 ? 398,66 |
393,73 ? 406,17 |
| IL-1ß |
6,87 ? 4,51 |
6,80 ? 6,45 |
| IL-6 |
5,51 ? 5,05 |
5,19 ? 5,52 |
| TNF-a |
2,96 ? 2,52 |
2,87 ? 3,01 |
O pré-tratamento com astaxantina modulou a inflamação e o estresse oxidativo em pacientes inférteis com endometriose. Os resultados das técnicas de reprodução assistida também melhoraram após doze semanas de terapia. Os dados sugerem que a astaxantina pode ser um potencial alvo terapêutico para pacientes submetidas a reprodução assistida.
Estudo Complementar
Vitamina C e Vitamina E Melhoram a Dor Associada à Endometriose
Estudo clínico triplo-cego conduzido por Amini et al. (2021) avaliou a suplementação com vitaminas antioxidantes em 60 mulheres em idade reprodutiva com dor pélvica, randomizadas por 8 semanas.
Delineamento
Protocolo de Intervenção
Grupo 1 — Antioxidantes
Vitamina C 500 mg + Vitamina E 400 UI
Duas vezes ao dia por 8 semanas. Avaliação de MDA, ROS e intensidade da dor pélvica.
Grupo 2 — Controle
Placebo
Grupo comparativo para isolar o efeito dos antioxidantes sobre os marcadores oxidativos e a dor.
Após o tratamento, observou-se redução significativa de MDA e ROS em comparação com o placebo. A ingestão de vitamina C e vitamina E reduziu efetivamente a gravidade da dismenorreia e melhorou a dispareunia e a intensidade da dor pélvica.
12
semanas de suplementação com astaxantina no estudo principal
6 mg
dose diária de astaxantina utilizada no ensaio clínico
50
mulheres infertéis com endometriose participantes do ECR