Bebidas diet aumentam risco de ataque cardíaco em mulheres

por VEJA.COM / 19 Fevereiro 2019 / Notícias do Mercado
Mulheres preocupadas com a manutenção do peso costumam optar por bebidas diet ou de baixa caloria para evitar os quilinhos indesejados. No entanto, pesquisadores descobriram que, apesar de serem uma opção para versões com alto teor de açúcar, elas podem trazer inúmeros problemas para a saúde cardiovascular. Estudo publicado na revista Stroke mostrou que a ingestão diária de duas ou mais bebidas adoçadas artificialmente está associada a maior probabilidade de acidente vascular cerebral (AVC), ataque cardíaco e morte precoce em mulheres acima dos 50 anos. Segundo a equipe, os riscos são ainda mais significativos para mulheres sem histórico de doença cardíaca ou diabetes, mulheres obesas ou afro-descentes.

Estudos anteriores já haviam relacionado bebidas dietéticas com outras doenças graves, como demência, síndrome metabólica, obesidade, diabetes tipo 2 e até mesmo AVC. “Muitas pessoas bem-intencionadas, especialmente aquelas com sobrepeso ou obesidade, escolhem bebidas diet para cortar calorias da dieta. Mas nossas pesquisas e outros estudos mostram que elas podem não ser inofensivas e o alto consumo aumenta riscos de saúde”, alertou Yasmin Mossavar-Rahmani, principal autora da pesquisa, em comunicado.  

Este é o primeiro estudo a investigar a associação entre bebidas adoçadas artificialmente e o risco de tipos específicos de AVC em um grupo racial diversificado e na pós-menopausa. Apesar disso, os pesquisadores ressaltam que não foi possível determinar a causa-efeito uma vez que o trabalho foi observacional baseado em informações fornecidas pelas próprias participantes. 

Riscos de saúde

De acordo com observações, a equipe descobriu que mulheres na pós menopausa (entre 50 e 79 anos) que consomem mais de 350 mililitros (ml) de bebida diet por dia estão 23% mais propensas a ter um AVC e apresentam 31% maior risco de AVC isquêmico. Além disso, elas têm 29% maior probabilidade de desenvolver doenças cardíacas, como ataque cardíaco (não-fatal ou fatal) e estão 16% mais propensas a morrer por qualquer causa.

Os pesquisadores ainda revelaram que mulheres com determinadas características podem apresentar risco ainda mais alto. Para mulheres obesas sem doença cardíaca prévia ou diabetes, a probabilidade de sofrer um AVC provocado por coágulo é  duas vezes mais alto em comparação com mulheres que ingerem menos de uma vez por semana ou não consomem nada. No caso de mulheres afro-descendentes dentro deste mesmo quadro, o risco de AVC por coágulo é 3,93 vezes maior. Já para mulheres em geral sem doença cardíaca ou diabetes, a propensão a AVC causado pelo bloqueio de uma das pequenas artérias localizadas dentro do cérebro é 2,44 maior em relação ao baixo consumo. 

Esses resultados foram obtidos depois da observação de 81.714 mulheres na pós-menopausa que participaram do Women’s Health Initiative, estudo que acompanha a saúde das participantes por uma média de 11,9 anos. Para o novo estudo, as voluntárias foram acompanhadas por três anos e relataram a frequência com que consumiram bebidas dietéticas nos três meses anteriores à pesquisa. Os dados finais foram obtidos depois de ajuste para outros fatores de risco para o AVC, como idade, pressão alta e tabagismo. 

Pós-menopausa

Embora as descobertas sejam significativas, o estudo foi baseado apenas em observações e, portanto, não é possível determinar, por exemplo, quais adoçantes pode ser prejudiciais ou mesmo se as associações encontradas é devido a adoçantes específicos, a um tipo de bebida em especial ou se a algum problema de saúde que não foi considerado pelos pesquisadores. Além disso, de acordo com especialistas, mulheres na pós-menopausa apresentam maior risco de doença vascular uma vez que não desfrutam dos efeitos protetores fornecidos pelos hormônios naturais, o que contribui para a maior propensão a doenças cardíacas e AVC.

“Essa associação também pode ter sido causada pelo fato de que as mulheres foram diagnosticadas com aumento da pressão arterial ou de açúcar no sangue que ainda não haviam sido declarados como hipertensão ou diabetes. Por causa disso, elas podem ter buscado reduzir o peso e, consequentemente, passaram a consumir bebidas de baixa caloria”, salientou Keri Peterson, do Calorie Control Council, à CNN. 

Apesar de reconhecer o papel das bebidas diet ou de baixa caloria na substituição de versões açucaradas, a Associação Americana do Coração recomendou que qualquer pessoa que deseje consumir bebidas sem calorias opte pela água natural. A entidade ainda destacou que outro motivo para limitar o consumo de bebidas de baixa caloria é a falta de valor nutricional significativo.

Críticas

Enquanto isso, a indústria de bebidas diet rebateu o estudo afirmando que as principais autoridades de saúde do mundo atestaram a segurança dos adoçantes artificiais. “Em março de 2017, o Governo do Reino Unido endossou publicamente o uso de adoçantes de baixa caloria como uma alternativa segura para reduzir o açúcar em alimentos e bebidas e ajudar as pessoas a administrarem o próprio peso”, comentou Gavin Partington, da Associação Britânica de Refrigerantes, ao Daily Mail. 

Outros especialistas ressaltaram que há evidências de que os adoçantes são seguros para o consumo humano e ajudam a reduzir riscos de saúde, como picos de açúcar no sangue, além de evitar problemas de saúde bucal como a cárie.
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