A Associação Entre os Níveis Séricos de Vitamina D e Infecções Recorrentes do Trato Urinário em Mulheres Pré-Menopausadas.

por INSTITUTO HI-NUTRITION / 31 Janeiro 2018 / Estudo Científico

Introdução

A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comumente adquiridas em pacientes ambulatoriais e hospitalizados. Aproximadamente 11% de todas as mulheres com idade ≥18 anos nos EUA tem uma ITU a cada ano. Apesar disso, o risco de progressão da ITU (cistite) da bexiga para a pielonefrite é negligenciável entre mulheres saudáveis, tendo a então, uma propensão a recorrer. Entre mulheres saudáveis com idade entre 18 e 39 anos, o risco de recorrência de 6 meses após uma primeira ITU é 24%. Aproximadamente 5% das mulheres com uma ITU inicial tem múltiplos episódios dentro de um ano. Os principais fatores de risco para ITU entre as mulheres de 18 a 39 anos estão envolvidos com relações sexuais e histórico de UTI.

Nos EUA e em todo o mundo, os uropatógenos são cada vez mais resistentes aos antibióticos. As mulheres com ITUs recorrentes recebem prescrição de cursos repetidos de antibióticos tanto como tratamento quanto como estratégia preventiva. Como a terapia com antibióticos é um dos principais fatores de resistência e afeta negativamente a microbiota normal, as estratégias preventivas que reduzem a necessidade de antibioticoterapia são particularmente importantes.

A deficiência de vitamina D tem sido associada com diversas consequências adversas à saúde, incluindo doenças autoimunes e infecções. O resultado de estudos epidemiológicos tem demonstrado a existência de uma relação entre deficiência de vitamina D e aumento da ocorrência de tuberculose pulmonar e infecções respiratórias. Recentemente, foi demonstrada uma associação entre baixos níveis de 25-hidroxi vitamina D (25(OH) vitamina D) e o risco de recorrência de infecções bacterianas.

Neste contexto, foi conduzido este estudo retrospectivo com objetivo de avaliar a existência da relação entre os níveis de 25(OH) vitamina D e o risco de recorrência de ITUs em mulheres pré-menopausadas.

Materiais e Métodos

Foram incluídas 93 mulheres pré-menopausadas com ITUs recorrentes que foram acompanhadas entre 2009 e 2011 pelo Infections Diseases Unit of EMMS, um hospital de cuidado primário em Nazaré, Israel. As mulheres tinham idade entre 20-52 anos e não receberam antibióticos para profilaxia de recorrência de ITUs. Os casos de recorrência de ITU foram comparados com 93 mulheres sem histórico de recorrência de ITU (grupo controle), com o objetivo de avaliar os níveis de 25(OH) Vitamina D e diferentes fatores de recorrência de ITU, que foi definida como 3 ou mais episódios de ITU em um período de 12 meses.

Resultados

  • Os níveis de 25(OH) vitamina D entre mulheres com ITUs recorrentes foi significativamente menor que as do controle (9,8 ng/mL ± 4 vs. 23 ng/mL ± 6; p< 0,001).

  • Análises multivariadas mostraram que os níveis séricos de 25(OH) vitamina D <15 ng/mL foram associados com a recorrência de ITUs em mulheres pré-menopausadas.

  • O menor nível de vitamina D de 25 (OH) foi de 4 ng/ml, que foi encontrado em um indivíduo que sofria de UTIs recorrentes (pelo menos 6 episódios/ano); o nível mais alto foi de 46 ng/ml, que foi encontrado em um indivíduo no grupo controle.

Discussão

Neste estudo retrospectivo, descobrimos que a deficiência de vitamina D em mulheres pré-menopausadas foi associada de forma independente a ITUs recorrentes.

Os mecanismos que ligam a deficiência de vitamina D com ITU recorrente são desconhecidos. Existem muitos fatores de defesa do hospedeiro no trato urinário, como a proteína Tamm-Horsfall, lipocalina e lactoferrina, que oferecem alguma proteção contra a infecção. As infecções do trato urinário induzem células epiteliais a produzirem catelicidina LL-37, que promove proteção contra a infecção bacteriana. A vitamina D é um potente estimulador de peptídeos antimicrobianos, incluindo catelicidina LL-37 na imunidade inata.

Recentemente, Hertting et al. observou um aumento significativo na catelicidina, em resposta à vitamina D, em amostras de biópsia de bexiga urinária infectadas por Escherichia coli uropatogênica. Nos seres humanos, a produção de catelicidina e de algumas defensinas depende dos níveis de vitamina D, particularmente durante o processo de infecção. Estudos anteriores mostraram a importância da vitamina D para a imunidade inata na defesa das infecções bacterianas, principalmente pelo aumento da motilidade neutrofílica e função fagocítica. Consideramos que esses mecanismos mencionado poderia explicar por que as mulheres com baixos níveis séricos de 25(OH) vitamina D são propensas a ITU recorrentes. No entanto, são necessários mais estudos para investigar os mecanismos envolvidos na patogênese da deficiência de vitamina D e predisposição a infecções bacterianas.

Em estudos de casos e controles, Scholes et al. e Hooten relataram que uma história de ITU na mãe está associada ao aumento de 2-3 vezes no risco de ITU em suas filhas. Uma história materna de ITU sugere que os fatores hereditários podem ser importantes em alguns casos de ITUs recorrentes. Caso contrário, esse fator de risco poderia refletir outros fatores ambientais compartilhados ou comportamentos presentes nas mães e nas filhas. A contribuição da genética para ITUs foi discutida em vários estudos. Lundstedt et al. mostraram que a susceptibilidade à pielonefrites agudas é hereditária e que a baixa expressão de CXCR1 pode predispor a pielonefrite aguda. No nosso estudo, descobrimos que uma história materna de ITU foi associada com um aumento de 1,6 vezes no risco de ITU recorrente.

Lactobacilos são bactérias dominantes da flora vaginal, no qual possuem propriedades que regulam a microbiota urogenital. A cura incompleta e recorrência de infecções genitourinárias leva a uma mudança na flora local a partir de uma predominância de lactobacilos para uropatógenos coliformes. O uso de probióticos contendo Lactobacillus para restaurar a flora vaginal comensal tem sido proposto para o tratamento e profilaxia de ITUs recorrentes. Recentemente, uma meta-análise foi feita em relação aos Lactobacillus para a prevenção de ITUs em mulheres.

Conclusão

Em conclusão, a deficiência de vitamina D demonstrou estar associada com ITUs recorrentes em mulheres pré-menopausadas.

Referência

William Nseir a,b,c,*, Muhamad Taha b, Hytam Nemarny a, Julnar Mograbi a. The association between serum levels of vitamin D and recurrent urinary tract infections in premenopausal women.
International Journal of Infectious Diseases 17 (2013) e1121–e1124.

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